Lançando-se aos pés de Jesus

13:43 |


Título: Lançando-se aos pés de Jesus
Texto: Lucas 7:36-50
Palavra-chave: Atitudes
Proposição: Todos precisam de Jesus
Oração interrogativa: Que atitudes nós devemos ao nos aproximarmos de Jesus?
Oração de transição: A passagem que à nossa frente revela três atitudes que nós precisamos ter ao nos aproximarmos de Jesus.
Introdução:

O flamengo ganhou dois títulos muito importantes há algumas semanas: Brasileirão e Libertadores. E para os torcedores de outros times deve estar difícil conviver com os flamenguistas. Por causa de uma certa rivalidade entre os times. Mas, na política a rivalidade entre quem vota no Bolsonaro e quem gosta do Lula é bem maior. Você consegue imaginar uma pessoa entrando na casa de um petista roxo, ou melhor vermelho, com a camisa do Bolsonaro? Iria dar uma grande confusão. Na história que nós vamos ler agora uma pessoa invadiu a casa de outra sem ser convidada e a rivalidade entre elas ou ódio é muito maior do que a política.
Todos somos igualmente pecadores condenados diante de Deus. Para Deus apenas um pecado é suficiente para tornar uma pessoa digna do inferno. É comum vermos pessoas que se consideram justas por praticarem boas ações e nunca terem cometido nenhum crime punível com prisão. Mas, quem nunca mentiu, quem nunca desejou o mal para alguém, até mesmo a morte, quem nunca desejou ter para si algo de outra pessoa? Eu poderia lhes dizer que todos nós, portanto, por nossas ações estamos igualmente condenados diante de Deus. Ninguém é justo ou melhor do que ninguém, todos erraram e precisam de Deus.
No texto que acabamos de ler vemos que Jesus foi convidado por um fariseu, alguém altamente religioso e rigoroso no cumprimento de certas leis, alguém que se considerava justo. Jesus aceitou o convite e chegando ao local foi recebido com certa desconfiança por aquele homem que não fez nada de muito cortês a Jesus, não deu agua para lavar os pés, não deu uma saudação.
Durante aquele jantar todos se assentaram às mesas, que naquela época eram diferentes como elas são hoje em dia, as pessoas ficavam com as pernas para trás. E de repente, apareceu uma “mulher pecadora” com um vaso de alabastro, eram como se fosse um frasco de perfume que continham óleos de unguentos muito caros, entrou no lugar sem ter sido convidada se aproximou dos pés de Jesus e no desespero em que se encontrava acabou chorando e molhando os pés de Jesus e como não trouxe toalha enxugar fez isso com os próprios cabelos. E começou a passar também o óleo que estava naquele vaso. Aquela mulher pecadora, possivelmente muito conhecida, pode nos ensinar com as atitudes que teve ao se aproximar de Jesus. Que atitudes nós como grandes pecadores devemos ter ao nos relacionar com Jesus? A passagem que está à nossa frente revela três atitudes que nós precisamos ter ao nos relacionarmos com Jesus.
1.     (atitude) Coragem para se aproximar (36-39)

Imaginemos como aqueles convidados ficaram ao verem aquela “mulher pecadora” aparecer e iniciar aquela cena diante de todos. Ela estava preparada para ser expulsa, receber maus olhares, desprezo e nojo daquelas pessoas. Mas, ela foi mesmo assim, ela investiu uma grande quantia de seu dinheiro para ungir os pés de Jesus.
O texto diz que Simão, aquele homem extremamente religioso, pensou: “se esse homem fosse um profeta, um homem da parte de Deus, saberia quem e que tipo de mulher é esta que está tocando nele, pois é uma pecadora”. Os pensamentos de Simão revelam os pensamentos de muitos dos presentes.
Hoje apesar da grande aceitação que temos na sociedade muitas atitudes nossas e maneira de pensar são vistas como ruins por muitas pessoas. Por exemplo, nós cremos que temos a salvação e isso é visto por muitas pessoas como algo antiquando, exclusivista demais ou orgulhoso. O pensamento atual é todos os caminhos levam a Deus, mas sabemos que não é bem assim. Dessa maneira, é preciso coragem para fazer uma afirmação desse tipo. 
Nós podemos nos lembrar do exemplo Martinho Lutero que ele escreveu vários livros e nesses livros ele criticava a Igreja e ele foi chamado em um tribunal da Inquisição. Se ele não voltasse atrás do que havia dito poderia ser condenado a fogueira. No entanto, ele não voltou atrás ele teve coragem para afirmar a sua fé. Atualmente isso continua real, quer um exemplo lá em Goiânia um dono de supermercado evangélico distribuiu uns livretos que falavam contra a homossexualidade e teve que voltar atrás por causa de normas da justiça.
Hoje para nos aproximarmos de Jesus não existirá um grupo de homens nos julgando como naquele dia. Mas, haverá um grupo de pessoas que irão nos chamar de atrasados, antiquados, iludidos, fundamentalistas. Sabermos haverão pessoas nos julgando.
O convite é feito para que você seja como aquela mulher que não pensou e não se preocupou com que os outros pensariam. Pois, todos precisam de Jesus.


2.     (atitude) Gratidão pelo que Jesus fez (40-47)

Aquele homem foi extremamente mal-educado com Jesus e não fez o mínimo que se fazia ao receber um convidado. Isso demonstrava que Simão cria não precisar de Cristo, até o melhor dos seres humanos precisa de Jesus em sua vida. Ninguém é capaz de se salvar mesmo sendo religioso e extremamente rigoroso, só Jesus salva.
A mulher demonstrou que era mais grata do que aquele homem religioso. Ele se considerava justo e bom enquanto ela tinha consciência do quanto precisava de Jesus. Os dois igualmente precisavam de Jesus, mas só ela tinha consciência de sua necessidade. Quantos pensam que não, mas são como aquele homem “justo” se consideram “um bom sujeito”, afinal inclusive presidiários e muitos políticos acham que são bons. (A mulher para quem eu evangelizei a vários anos atrás.)
Nós precisamos fazer mais, todos desejamos fazer boas obras e ter obediência aos mandamentos de Jesus. Mas, o que causará estas coisas? Somente a gratidão. Enquanto não houver mais amor por Cristo não faremos nada por Ele. O medo de ser castigado, o desejo por ser recompensado, o sentimento de obrigação, tudo isso é usado para fazer com que as pessoas vivam uma vida santa. No entanto, são argumentos fracos até que alguém ame a Cristo.
Sabe como é possível perceber a gratidão que os crentes têm por Cristo? O interesse deles pela obra de Deus. Se aquela mulher não tivesse tanta gratidão ela não pesaria aquela vergonha por Jesus. Percebemos hoje um distanciamento das pessoas em relação a igreja qualquer coisa é motivo para deixar de vir ao culto, qualquer coisa impede o devocional. Qualquer desavença as pessoas se desviam, onde está a gratidão das pessoas por Jesus? Todos estão se sentindo bem e por causa disso muitos agem como Simão, se der certo levam Jesus as suas casas senão deixam ele ficar batendo na porta e fingem que não o estão ouvindo.
Todos precisam de Jesus.


3.     (atitude) Convicção de pecados perdoados (48-50)

Jesus perdoa os pecados daquela mulher o que causa espanto em todos os presentes. Pois, muitos dos que ali se encontravam não criam que Jesus tivesse autoridade ou poder para perdoar os pecados de alguém. Eles não tinham fé em Jesus como salvador enviado para salvar o mundo.
É interessante observar que os que estavam próximos a Jesus nem sabiam que ele tinha poder para perdoar pecados enquanto aquela mulher foi a aquele local já sabendo exatamente o que necessitava, perdão.
Nós vivemos em uma sociedade com pouquíssima capacidade de acreditar no perdão, pois o perdão não é algo justo. Por exemplo, aquelas mulheres que são feministas e odeiam os homens, elas sentem que todos os homens são maus por que existem homens criminosos fazem suas esposas sofrerem. Ou pessoas que defendem os movimentos negros e de alguma forma acreditam que as pessoas ricas e brancas devem aos negros uma dívida histórica, ou seja, culpam alguém pela opressão que esse avô de alguém fez.
Isso faz com que muitas pessoas busquem o perdão de Deus, por meio, de boas obras, ou por meio uma rotina rígida de vida. Mas, nada do que façamos nos trará o perdão de Jesus isso é de graça, e por causa desse perdão é que as boas obras virão, não o contrário.
E nós não somos por nossas obras para que ninguém se glorie, porém somos salvos pela graça que vem de Deus. Esse ensinamento difere do ensinamento todas principais religiões do mundo. Pois, no budismo você medita e faz ritos para evoluir, no islamismo você segue uma pesada rotina para merecer a salvação e no catolicismo tem as boas obras, penitencias, exemplo disso é aquela cidade de Trindade. Mas, no ensino de Jesus Cristo nós recebemos o perdão sem merece-lo. Mas, surge uma pergunta, se somos perdoados sem precisar fazer nada então devemos pecar mais já que recebemos tudo pela graça? Paulo responde em Romanos que não, pois nós vamos evidenciar que somos transformados por meio de nossas obras, pois morremos para o pecado e ressuscitamos em novidade de vida.
Todos precisam de Jesus.

Conclusão
Seja corajoso a fale do Cristo ensinou aos seus amigos não devemos nos envergonhar do evangelho pois ele é poder de Deus para salvação, seja grato por ele ter te amado e se entregado para morrer por você, então demonstre esse gratidão com os seus recursos e com seu tempo, cristianismo não é para ser vivido só no domingo. Tenha convicção que ao pedir perdão e recebe-lo, todos os seus pecados estarão perdoados, não sejamos achando que somos bons nada de om vem de nós.
Não se ouve mais falar de Simão no resto da Bíblia, mas se ele continou com aquela mesma atitude ele não foi salvo. Dessa forma, haverá dois grupos diante de Deus no dia do julgamento de lado estará Simão um rigído religioso “salvo” por suas obras e do outro aquela mulher pecadora que se arrependeu e recebeu o perdão de Jesus. Muitos que vem a igreja e são crentes nominais estarão com aquele homem. Que esse não seja o caso de nenhum de nós.

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Religião: ópio do povo – o que há em Marx que nos pensar?

13:32 |


A primeira vez em que Marx fala da religião como ópio do povo em a Crítica da filosofia do direito de Hegel, de 1843:
A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.
A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
Ao contrário do que se imagina essa frase de Marx não algo pontual ele juntos Engels em seus livros trata muitos momentos da religião como alienadora do homem. E será mostrado no desenvolvimento desse pequeno trabalho a impossibilidade de se retirar do pensamento marxista o desprezo pela religião sem comprometer muito o sistema. Uma observação importante a ser feito é que o comunismo não despreza apenas a religião crista, mas todas as religiões devido suas relações com o transcendentalismo.

Os pensadores que Marx utilizou em sua combinação de ideias
Para um entendimento claro do pensamento de Marx é importante saber que Marx não foi um grande criador de um sistema novo de pensamento. A sua genialidade se deveu a capacidade que ele teve em combinar ideias de grandes pensadores que o precedeu e fazendo algumas considerações em seus raciocínios criar um novo sistema pensamento, sendo principalmente prático. Segue a lista dos principais, filósofos idealistas alemães, influenciadores de suas ideias:
1.                  Georg Hegel
Apesar de utilizar o sistema de pensamento de Hegel, Marx discorda dele no se refere a existência de Geist, espirito, que conduz a história da humanidade. O ele observa é que o desenvolvimento não é algo espiritual, mas mudança histórica real. Ao contrário de Hegel que cria que no final progresso o estado estaria em uma harmonia absoluta, para Marx na sociedade perfeita todos trabalhariam para um bem maior.
Mesmo com as divergências com Hegel nos aspectos de finais e mesmo movedores sociais. Marx utiliza o processo de mudança proveniente do pensamento Hegeliano.


2.                  Ludwig Andreas Feuerbach
Para o filósofo Ludwig Feuerbach os seres humanos não são uma forma externalizada de um espírito absoluto, mas o oposto: criam a ideia de um espírito maior, um deus, a partir de seus próprios desejos e aspirações. Pois, ao imaginar um deus com as qualidades humanas mais elevadas esquecem que nos homens isso já pode ser encontrado. Por isso o homem deve deixar de olhar para os deuses e focar mais na justiça humana. Pois, devido esse esquecimento a religião tem contribuído para a miséria humana.
Marx foi além do pensamento de Feuerbach crendo que a religião não é algo da natureza humana, mas uma criação dos poderosos para alienação do povo. Dessa forma, o pensamento transcendentalista fazia com as pessoas continuassem alienadas pelos poderosas. Dessa forma, era necessária a retirada da religião para que o domínio sobre o proletariado fosse retirado.
3.                  Adam Smith
Segundo Adam Smith quando as pessoas fazem barganhas elas apelam para os interesses próprios de umas das outras. Sendo observável que a troca de objetos e bens só é vista na espécie humana, isso torna essa espécie na única capaz de fazer barganhas. E essa capacidade fez com que cada família pudesse se especializar em um número cada vez menor de bens. E a especialização cada vez maior gerou um número maior de produtividade.
Marx concordava com Smith no que se refere a especialização das pessoas no trabalho mas afirmou que a especialização veio a defini-las.
4.                  Jean-Jacques Rousseau
Para Rousseau as pessoas em seu estado natural são boas, tendo em si atributos bons. Mas, a colocação do estado civil faz com que haja um afastamento da virtudes em direção aos vícios. Tendo isso tido começo quando o homem criou a propriedade privada o que fez com que surgissem sociedades e para a proteção das propriedades fossem criadas leis injustas dos ricos contra os pobres.  
Baseando em Rousseau, com seu conceito de homem no estado natural, Marx revestiu o proletariado com atributos totalmente virtuosos chegando a imaginar que a sociedade comunista daria origem a um novo tipo de ser humano. Ele supunha que seria a pobreza a causa da criminalidade.
Aparentemente as ideias desses pensadores nada tem de relacionado com a “religião ser o ópio do povo”, mas o desenrolar dos raciocínios deles bem como os acréscimos feitos por Marx mostram uma extrema relação. O pensamento até mesmo de Adam Smith foi visto por John Ruskin como anticristão.

Por que a religião é o ópio do povo
A hostilidade do pensamento de Marx como dito antes não se refere apenas a uma opinião feita em algum momento sem relevância para seu sistema de pensamento. Na verdade, se o ódio pela religião for retirado do pensamento marxista, como desejo os teólogos da libertação, muito do sistema é perdido. A ausente de religiosidade é altamente importante dentro do pensamento de Marx por três motivos.
1.                  A religião é um produto social

O ateísmo de Marx está relacionado com seu aprendizado com Feuerbach, no entanto, vai além dele. Pois, Feuerbach “resolve a essência religiosa na essência humana”, Karl Marx apud Richard Sturz, p. 70-1[1]. Mas, para Karl Marx o ‘sentimento religioso’ é em si um produto social.

2.                  A religião é utilizada para manter o status quo
O problema de Marx não com o cristianismo em si, mas com toda religião, uma vez que ela busca alienar o homem de si mesmo. Dessa forma, no Manifesto Comunista (1848), Marx e Engels atacaram a religião por ser um meio (junto com o Estado, educação e família) de manter o status quo (On Religion, p. 89).

3.                  A religião é transcendentalista o que impede a libertação do homem
Para Marx, qualquer transcendentalismo encobre a verdade humana e inibe a libertação do homem. De maneira prática a religião é um peso que serve para manter o homem preso no seu estado atual.

A ironia nessas três afirmações se encontram no fato de que o marxismo tornou-se uma religião secular. Sendo seus ensinos colocados como substitutos da doutrina cristã, o próprio na construção se apoio nos Escritos do Antigo e Novo Testamentos. O marxismo substituto da religião, hoje tem seus crentes “evangelistas”, com suas “Escrituras” de Karl Marx como autoridade última e infalível.

O evangelho de Marx
Charles W. Lowry em sua obra Comunism and Christ (Morehouse Gorham) estampa um quadro comparativo entre cristianismo e o comunismo. Abaixo estão colocados alguns itens listados por ele:

  



Conclusão
Após essa panorâmica exposição algumas perguntas surgem na mente de alguém conhecedor do marxismo e cristianismo. Como foi possível o surgimento da teologia da libertação, movimento que busca a justiça social na américa latina, nos anos 60? A resposta parece óbvia, os teólogos da libertação precisam ser liberais e se desfazer de muitos princípios bíblicos para se unirem ao marxismo.
Como dia Heine: ninguém precisa chamar Nietsche para matar Deus, basta chamar um teólogo da libertação. O Deus dos teólogos da libertação parece o Geist de Hegel. Para eles o homem faz tudo dentro de um determinismo histórico. E o pecado é visto como uma alienação social. Dessa forma, a saída para o homem não é cruz e sim a mudança nas estruturas sociais. Realmente! Não é fácil servir a Deus a ao marxismo, um desses senhores sai machucado.


[1] Citando On Religion, Karl Marx p. 70-1

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O decreto soberano de Deus sobre todos os homens

04:26 |


Resumo
           Este artigo considera a partir de vários textos da Bíblia e da perspectiva reformada a questão da ligação que há entre predestinação e soberania divina. Pondera sobre a importância de se ter uma compreensão correta sobre um assunto tão e de complicada compreensão a maioria dos cristãos brasileiros. Examina a importância desse assunto para a compreensão mais clara de Deus. Demonstra que a crença na predestinação é de suma importância para a visão correta da soberania divina.


 Palavras-chave
Predestinação, Presciência, Liberdade, Soberania, Condicionalidade.


1.     Soberania e Predestinação
É importante que se tenha um conhecimento claro do que significa a palavra predestinação. O dicionário Webster coloca os seguintes verbetes:
Predestinado – destinado, fadado ou determinado de antemão; preordenado, por divino decreto, para uma sorte ou destino, terrestre ou eterno.
Predestinação – a doutrina que Deus, em consequência de sua presciência de todos os acontecimentos, infalivelmente guia aqueles que são destinados à salvação.
Predestinar – destinar, decretar, apontar ou estabelecer de antemão.
Como coloca Sproul (1998) a predestinação trata de forma mais elementar qual seria o nosso destino final, céu ou inferno, sendo decidido por Deus. Mas, isso acontecendo antes mesmo de termos nascido. A questão de Deus escolher uns para salvação e outros para perdição eterna é um tema difícil não importando a maneira como é abordado.
A soberania de Deus vai além da escolha dos salvos, ela abrange todo o funcionamento do cosmo. Pois, não acreditar na soberania de Deus sobre todas as coisas que existem significa não acreditar em Deus. Essa doutrina tem sido vista como pertencente apenas ao Calvinismo. Mas, ela deve fazer parte da crença teísta de maneira indispensável. Pois, no mínimo para alguma coisa acontecer é necessário que Ele permita, então em certo sentido Ele está preordenando. Se houver alguma coisa que aconteça fora da vontade de Deus, logo ela é mais forte do que Deus, assim Ele deixaria de ser soberano. Deus não ter soberania significa que Ele não é Deus.
Deus por ser autor do universo possui autoridade sobre a sua criação. Por ser proprietário ele tem certos direitos sobre sua criação. Dessa forma, é natural que faça o que é agradável a sua vontade.
Feinberg (1986) explica que a vontade de Deus cobre todas as coisas, dessa forma não somente prevê o que acontecerá, mas toma decisões soberanas. Os seus bons propósitos e aquilo que lhe apraz, determinam os acontecimentos que Ele decreta. É possível acreditar que Deus escolheu de uma vez todos os eventos em sequência acontecendo de maneira interligada, ou seja, tudo que aconteceu ou acontecerá no mundo. É interessante explicar que isso não significa que as decisões eram absolutamente necessárias, como crê os fatalistas, mas apenas necessárias tendo em vistas as outras decisões tomadas por Deus.
A crença na soberania divina pode ser vista como essencial a crença teísta, pois Deus sem soberania não é Deus. A escolha dos destinos dos seres humanos, para o céu ou inferno, pode ser vista como automática. Ou seja, o agente de predestinação é Deus. Como afirma o apostolo Paulo em Efésios 1.3-12:
Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi; por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas; [A saber,] que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder.
 A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a comunhão do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor, no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele.

2.     É condicional ou incondicional?
Um exemplo máximo de eleição incondicional é colocado por Paulo em Romanos 9:10-16:
E não somente esta, mas também Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá ao menor. Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? Que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.

O significado dominante daquelas palavras é que a misericórdia e a compaixão de Deus não se sujeitam a causa estranha à Sua livre graça (BRUCE, 1967, p. 156). Essa citação do apostolo foi retirada de Êxodo 33.19, quando Moisés pediu para ver a glória de Deus, logo após, a intercessão feita pelos filhos de Israel que haviam adorado um bezerro de ouro.
Sproul (2011) escreve sobre a maneira com que alguns tentam argumentar e contornar a doutrina desse texto. Eles desenvolvem a ideia de que o texto estaria se referindo não a eleição de indivíduos, mas às bênçãos terrenas. Então em sua perspectiva as bênçãos faladas no texto estariam se referindo a nação de Israel e outras nações da antiguidade como: Egípcia, Romana, Grega, Gaulesa, entre outras. E há aqueles que simplesmente se esquivam do texto buscando levar o terreno de disputa para outros textos da Bíblia.
Quando é falado no texto de Esaú e Jacó observamos que o apóstolo está tratando de indivíduos e não de nações. A ideia de que os Árabes descendentes de Ismael e Judeus descendentes de Jacó seriam os representantes dos personagens deve ser retirada. Pois, claramente o texto está se referindo aos indivíduos e não as nações que geraram.
Geoffrey Wilson está correto quando diz que não existia diferença entre Esaú e Jacó os dois tinham a mesma mãe. E também eram iguais em obras. No entanto Malaquias 1.2-3 nos diz: Eu vos tenho amado, diz o Senhor; mas vós dizeis: Em que nos tem amado? Não foi Esaú irmão de Jacó. E odiei a Esaú; e fiz dos seus montes uma desolação, e dei a sua herança aos chacais do deserto.
“Como poderia o indivíduo temporal, visível, psicológico, estar habilitado à eleição ou à rejeição? ” (BARTH, 1967, P. 539) Stott (1994) argumenta que os dois irmãos eram membros da família da aliança de Deus, mas as duas histórias ilustram o propósito de Deus na eleição. Dessa forma, não houve falha na promessa de Deus, pois essa foi cumprida no Israel espiritual dentro de Israel físico.
Como coloca F. F. Bruce (,p. 153):
Abraão foi pai de um bom número de filhos, mas somente por meio de um deles, Isaque, o filho da promessa, é que a linha da promessa de Deus devia ser traçada. Isaque, o filho da promessa, é que a linha da promessa de Deus devia ser traçada. Isaque, por sua vez, teve dois filhos, mas somente por um deles, Jacó, é que a semente santa foi transmitida. E a escolha que Deus fez de Jacó e a omissão do seu irmão Esaú não dependeram nem um pouco da conduta ou do caráter dos irmãos gêmeos: Deus o declara previamente – antes do nascimento deles.
        O que o apóstolo quer mostrar é que a eleição de Israel não é meramente nacional, como escreveu John Murray (2003 , 419 pg.):
Nem todos os que são da nação eleita de Israel são eleitos. Há uma distinção entre Israel e o verdadeiro Israel, entre os filhos e os filhos verdadeiro, entre os descendentes e os verdadeiros descendentes. Precisamos distinguir entre os eleitos de Israel e a nação eleita de Israel.
 (SPROUL, 1997, P. 127) explica que:
Deus escolher de acordo com o bom prazer de sua vontade não significa que suas escolhas são por capricho ou arbitrárias. Uma escolha arbitrária é aquela por nenhuma razão. Embora a teologia insista que a eleição de Deus não é baseada em nada previsto nas vidas dos indivíduos, isso não significa que suas escolhas são por capricho ou arbitrárias. Uma escolha arbitrária é aquela por nenhuma razão. Embora a teologia reformada insista que a eleição de Deus não é baseada em nada previsto na vida dos indivíduos, isso não significa que ele faça a escolha por nenhuma razão mesmo. Simplesmente significa que a razão não é algo que Deus encontra em nós. Em sua vontade inescrutável, misteriosa, Deus escolhe por razões que só ele conhece. Ele escolhe conforme seu próprio prazer, que é direito divino dele. Seu prazer é descrito como seu bom prazer. Se algo agrada a Deus deve ser bom, não há mau prazer em Deus.

Sproul (1997) afirma que Deus não deve graça a ninguém pois se Ele devesse, logo, graça não seria graça e sim justiça. A misericórdia que Deus dispensa é feita de acordo com Sua vontade. “Correr” mostra que não se baseia na presciência das atividades ou escolhas humanas, mas inteiramente na Sua vontade. Dessa forma, não faz sentido exigir que Deus tenha misericórdia ou considera-lo de alguma forma menos bondoso ou justo por escolher alguns.

3.     Predestinação e Presciência
As vidas levadas pelos homens não possuem qualquer peso sobre a decisão de Deus.  Mas alguns argumentam que apesar de Deus fazer sua escolha, quanto aos que serão salvos, antes que tenham nascido Ele já sabe tudo sobre como todos os seres humanos irão viver. Para alguns Deus leva em conta o que sabe de antemão sobre as atitudes que serão tomadas por cada um. O que significaria, nessa visão, que Deus observa o futuro e baseado nisso escolhe aqueles que por suas atitudes o escolherão. Um dos textos que atestariam essa ideia encontra-se em Romanos 8.29-30:
Porque os que dantes conheceu também os predestinou [para serem] conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.
Stott (1994) discorre que muitos comentaristas ao longo da história têm incorrido no pensamento de crer que a previsão de Deus do futuro seria a base da eleição, presciência. Mas, duas razões podem ser apresentadas para se crer que eles estariam errados. A primeira é que Paulo está se referindo a um grupo especifico e não todas as pessoas, no caso os salvos. E a segunda, se a predestinação depende da crença, escolha, das pessoas então elas têm o mérito de sua própria salvação e não Cristo, o que destruiria a predestinação.
Sproul (1997) explica que desde a eternidade Deus conhecia todos os seus eleitos. E de antemão Deus também já os amava. E, por essa razão ele faz acontecer a salvação em todos os que escolheu. Aos outros, não eleitos, ele não gera pecado como creem os acreditam na dupla predestinação, pois faria com que Deus fosse responsável pelas suas maldades. Ele apenas não gera neles a fé para que se convertam, eles podem até receber o chamado externo ao ouvirem, mas não receberão o chamado interno divino. A salvação de todo homem depende inteiramente de Deus e sua ruína depende inteiramente dele mesmo.
No arminianismo a escolha final acaba sendo do homem que pode escolher a salvação e a santificação. De modo que não é a graça soberana de Deus que faz a escolha, mas o próprio homem. A visão presciente na eleição semipelagiana e arminiana acabam negando a predestinação de forma completa. Talvez como argumenta Owen (1986) eles desejam que Deus pareça mais atraente ao dizer que qualquer um o pode escolher. Tornando o amor de “maior”, ao ensinar que  Ele ama a todos igualmente. Deixando parecer que a morte de Cristo tem maior “valor”, se podem dizer que foi pelo pagamento dos pecados de todos os homens.
Conclusão
Um grande número de dominações no Brasil, e por consequência a maioria de seus membros, tem uma compreensão errada sobre a doutrina da predestinação. Muitos sem saber a negam por compreenderem de outra maneira a presciência divina. Isso acontece devido a dificuldade com o ser humano tem de encarar Deus como soberano sobre todas as coisas. A influência pelagiana continua na igreja após séculos e apesar de não tão nociva como o liberalismo pode trazer desesperança e incertezas quanto ao futuro no coração de muitos fiéis.
A doutrina predestinação reformada mostra que Deus em sua soberania escolheu os homens baseado não em suas atitudes ou decisões futuras. Mas, os predestinou baseado em sua santa vontade. Mesmo sabendo em sua presciência de todos os erros e pecados que cometeriam os chamou. E Deus não pode ser responsabilizado pelas almas que se perderão, afinal de contas “a luz veio ao mundo e homens amaram mais trevas do que a luz por quê suas obras eram más”. Assim “continue o ímpio cometendo impiedade e continue o santo se santificando”.

Bibliografia
SPROUL, R. C. O que é teologia reformada. São Paulo: Cultura Cristã. 1997.
SPROUL, R.C. Eleitos de Deus. São Paulo: Cultura Cristã. 1998.
FEINBERG, John. GEISLER, Norman. REICHENBACH, Bruce. PINNOCK, Clark. Predestinação e Livre-arbítrio. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1986.
STOTT, John. Romanos. São Paulo: ABU Editora. 1994.
OWEN, John. Por quem Cristo morreu. São Paulo: PES, 1986..
BARTH, Karl. Carta aos Romanos.  São Paulo: Novo Século, 1967.



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