Um homem com uma história
capaz de fazer todos crerem em Deus. Essa é a intenção de Pi Patel, no filme as
aventuras de pi, essa ideia parece inicialmente ousada, mas até possível. Porém
no fim se mostra um verdadeiro fracasso e não convence ninguém que Deus exista
ou seja algo além de uma bela fantasia para aqueles que não suportam a
realidade. Na verdade, pode-se dizer que Pi faz quase que um trabalho contrário
tornando a crença em Deus um delírio.
O filme é dirigido por
Ang Lee que é um diretor que já fez dos mais diversos tipos, que vão de uma
adaptação do Hulk e um de artes marciais. O longa tem uma fotografia realmente
maravilhosa que ajuda a contar a história do filme, mas não brilha por si só.
A história do longa é de Pì
Patel é um indiano que criado em um zoológico com diversos animais. Depois de
anos trabalhando com a frente do negócio a família decide deixá-lo por causa da
retirada do conselho municipal. O plano é que com a mudança para o Canadá seja
possível eles venderem os animais e recomeçarem uma boa vida nova. No entanto,
o carga Navio japonês em que eles viajam acaba afundando no oceano Pacífico por
causa de uma tempestade. Pi consegue sobreviver por 227 dias no mar, sendo
encontrado no litoral do México.
Como ele conseguiu sobreviver durante todo esse tempo em alto
mar é a grande questão. Pi apresenta duas versões e deixa ao critério do
curioso escritor a decisão para qual das duas sejam verdade e relaciona a
decisão a crença em Deus.
A primeira versão contada inicialmente e que ocupa a maior parte do
tempo no filme é que Pi consegue sobreviver em um bote salva-vidas, mas precisa
dividir o pouco espaço disponível com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um
tigre de bengala chamado Richard Parker. A zebra que quebrou a perna depois de
cair de uma altura grande no bote é rapidamente devorada pela hiena que logo
depois ataca o orangotango fêmea e devora também. A hiena é imediatamente
devorada pelo tigre de bengala que passa a dividir o bote salva-vidas com pi
que si ver obrigado a ficar longe dele fora do bote. Pi vai buscando ao longo
do tempo dominar o tigre e domesticá-lo para poderem ficar juntos no mesmo
espaço. Ao longo desse processo eles passam por tempestades juntos, conhecem
peixes voadores desconhecidos e uma ilha flutuante nunca documentada ou vista
por ninguém com arvores completamente desconhecidas, cheia de suricatos, com um
formato bem diferente e que era muita boa durante o dia fornecendo alimentos,
mas luminosa e muito perigosa durante a noite sendo capaz de digerir todos os
que estivessem no seu chão ou águas.
A segunda versão é que quatro
sobreviveram o cozinheiro, a mãe de Pi, e um marinheiro budista. A forma como
ele conta a história dá a entender que cada um dos animais da história anterior
corresponde a uma pessoa. O cozinheiro é a hiena, o budista a zebra e mãe de Pi
o orangotango. E o tigre de bengala é o próprio Pi com o mal que foi despertado
dentro dele. A maneira sincera como ele conta a segunda versão demonstra que
essa é a verdadeira pela retirada dos elementos totalmente fantásticos da
primeira versão e substituição por elementos mais possíveis dentro da realidade
do mundo conforme todos conhecem.
A escolha para qual das duas versões da história dele a
ouvinte acreditar revela a crença da pessoa a respeito de Deus. As pessoas
podem preferir a segunda versão sem nada de especial além da tragédia de
pessoas cometendo atos horríveis em uma situação dramática de sobrevivência
após um naufrágio, ou seja, um mundo sem Deus e absurdo. Ou podem escolher a
versão mais bonita. Com uma mini arca de Pi, da amizade improvável de um garoto
com um tigre, e a existência de animais e acontecimentos que ninguém nunca viu
e o mesmo vale para Deus que ninguém nunca viu e parece um conto de fada muito
grande para as pessoas que conhecem a realidade trágica do mundo.
Para quem viu as duas versões fica evidente que a segunda
versão é terrivelmente mais possível por diversos motivos. E o mais
interessante disso é que o próprio Pi sabe qual é a
versão real. Logo, ele baseia a fé dele em Deus em uma mentira descabida
contada por ele mesmo. Não é sem razão que ele diz que a fé é uma casa com
muitos andares e com quartos para dúvida em todos os andares. Sendo a dúvida
útil para manter a fé viva.
Mas, é realmente incrível como Pi consegue manter a fé em
religiões tão diferentes entre si. A fé sincrética dele é uma ofensa a razão,
pois, como o pai dele mesmo disse quando ele era criança, acreditar em tudo é não acreditar em nada. A fé
cristã, por exemplo, não é uma fé que ignora a razão. Pelo contrário, Jesus
fazia seus sinais e maravilhas, tais como os milagres. Para que as pessoas que
vissem cressem. A ressurreição de Jesus se não
aconteceu na realidade torna toda a fé cristã falsa. A fé cristã busca
uma fundamentação na realidade tão grande que homens morreram crendo que Cristo
ressuscitou.
A crença em Deus por parte de Pi tenha a sua fundamentação no
fato de que ele mesmo crer que a vida é absurda e sem ordem. Isso ele pode ter
absurdo do livro O estrangeiro de Camus. Que defendia a ideia que vida não tem
significado ou ordem. Deus não entra em discussão. Afinal, se vivemos sob o
ponto de vista absurdista, não tem o menor significado especular uma crença ou
descrença de um poder superior.
Pi foi atingido por isso, mas diante do absurdo do que
aconteceu com ele, ele aparentemente preferiu criar um sentido uma história
mística para fugir de sua triste realidade.
Apesar da vida de Pi ter diversas tragedias ele crer em Deus
porque apesar das incoerências de sua fé. Ele consegue reconhecer que sua vida
só tem sentido, valor e propósito com Deus.
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