A primeira vez em que Marx fala da
religião como ópio do povo em a Crítica da filosofia do direito de Hegel, de
1843:
A miséria religiosa constitui ao mesmo
tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A
religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a
alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.
A abolição da religião enquanto felicidade
ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que
abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma
condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da
crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
Ao contrário do que se imagina essa frase
de Marx não algo pontual ele juntos Engels em seus livros trata muitos momentos
da religião como alienadora do homem. E será mostrado no desenvolvimento desse
pequeno trabalho a impossibilidade de se retirar do pensamento marxista o
desprezo pela religião sem comprometer muito o sistema. Uma observação
importante a ser feito é que o comunismo não despreza apenas a religião crista,
mas todas as religiões devido suas relações com o transcendentalismo.
Os
pensadores que Marx utilizou em sua combinação de ideias
Para um entendimento claro do pensamento
de Marx é importante saber que Marx não foi um grande criador de um sistema
novo de pensamento. A sua genialidade se deveu a capacidade que ele teve em
combinar ideias de grandes pensadores que o precedeu e fazendo algumas
considerações em seus raciocínios criar um novo sistema pensamento, sendo
principalmente prático. Segue a lista dos principais, filósofos idealistas
alemães, influenciadores de suas ideias:
1.
Georg Hegel
Apesar de utilizar o sistema de pensamento
de Hegel, Marx discorda dele no se refere a existência de Geist, espirito, que
conduz a história da humanidade. O ele observa é que o desenvolvimento não é
algo espiritual, mas mudança histórica real. Ao contrário de Hegel que cria que
no final progresso o estado estaria em uma harmonia absoluta, para Marx na
sociedade perfeita todos trabalhariam para um bem maior.
Mesmo com as divergências com Hegel nos
aspectos de finais e mesmo movedores sociais. Marx utiliza o processo de
mudança proveniente do pensamento Hegeliano.
2.
Ludwig Andreas
Feuerbach
Para o filósofo
Ludwig Feuerbach os seres humanos não são uma forma externalizada de um
espírito absoluto, mas o oposto: criam a ideia de um espírito maior, um deus, a
partir de seus próprios desejos e aspirações. Pois, ao imaginar um deus com as
qualidades humanas mais elevadas esquecem que nos homens isso já pode ser
encontrado. Por isso o homem deve deixar de olhar para os deuses e focar mais
na justiça humana. Pois, devido esse esquecimento a religião tem contribuído
para a miséria humana.
Marx foi além do
pensamento de Feuerbach crendo que a religião não é algo da natureza humana,
mas uma criação dos poderosos para alienação do povo. Dessa forma, o pensamento
transcendentalista fazia com as pessoas continuassem alienadas pelos poderosas.
Dessa forma, era necessária a retirada da religião para que o domínio sobre o
proletariado fosse retirado.
3.
Adam Smith
Segundo Adam Smith
quando as pessoas fazem barganhas elas apelam para os interesses próprios de
umas das outras. Sendo observável que a troca de objetos e bens só é vista na
espécie humana, isso torna essa espécie na única capaz de fazer barganhas. E
essa capacidade fez com que cada família pudesse se especializar em um número
cada vez menor de bens. E a especialização cada vez maior gerou um número maior
de produtividade.
Marx concordava
com Smith no que se refere a especialização das pessoas no trabalho mas afirmou
que a especialização veio a defini-las.
4.
Jean-Jacques
Rousseau
Para Rousseau as
pessoas em seu estado natural são boas, tendo em si atributos bons. Mas, a
colocação do estado civil faz com que haja um afastamento da virtudes em
direção aos vícios. Tendo isso tido começo quando o homem criou a propriedade
privada o que fez com que surgissem sociedades e para a proteção das propriedades
fossem criadas leis injustas dos ricos contra os pobres.
Baseando em
Rousseau, com seu conceito de homem no estado natural, Marx revestiu o
proletariado com atributos totalmente virtuosos chegando a imaginar que a
sociedade comunista daria origem a um novo tipo de ser humano. Ele supunha que
seria a pobreza a causa da criminalidade.
Aparentemente as
ideias desses pensadores nada tem de relacionado com a “religião ser o ópio do
povo”, mas o desenrolar dos raciocínios deles bem como os acréscimos feitos por
Marx mostram uma extrema relação. O pensamento até mesmo de Adam Smith foi
visto por John Ruskin como anticristão.
Por que a religião é o ópio do povo
A hostilidade do
pensamento de Marx como dito antes não se refere apenas a uma opinião feita em algum
momento sem relevância para seu sistema de pensamento. Na verdade, se o ódio
pela religião for retirado do pensamento marxista, como desejo os teólogos da
libertação, muito do sistema é perdido. A ausente de religiosidade é altamente
importante dentro do pensamento de Marx por três motivos.
1.
A religião é um
produto social
O ateísmo de Marx está relacionado com seu
aprendizado com Feuerbach, no entanto, vai além dele. Pois, Feuerbach “resolve
a essência religiosa na essência humana”, Karl Marx apud Richard Sturz, p. 70-1[1]. Mas,
para Karl Marx o ‘sentimento religioso’ é em si um produto social.
2.
A religião é
utilizada para manter o status quo
O problema de Marx não com o cristianismo
em si, mas com toda religião, uma vez que ela busca alienar o homem de si
mesmo. Dessa forma, no Manifesto
Comunista (1848), Marx e Engels atacaram a religião por ser um meio (junto
com o Estado, educação e família) de manter o status quo (On Religion, p. 89).
3.
A religião é
transcendentalista o que impede a libertação do homem
Para Marx, qualquer transcendentalismo
encobre a verdade humana e inibe a libertação do homem. De maneira prática a
religião é um peso que serve para manter o homem preso no seu estado atual.
A ironia nessas três afirmações se
encontram no fato de que o marxismo tornou-se uma religião secular. Sendo seus
ensinos colocados como substitutos da doutrina cristã, o próprio na construção
se apoio nos Escritos do Antigo e Novo Testamentos. O marxismo substituto da
religião, hoje tem seus crentes “evangelistas”, com suas “Escrituras” de Karl
Marx como autoridade última e infalível.
O evangelho de Marx
Charles W. Lowry em sua obra Comunism and Christ (Morehouse Gorham)
estampa um quadro comparativo entre cristianismo e o comunismo. Abaixo estão
colocados alguns itens listados por ele:
Conclusão
Após essa panorâmica exposição algumas perguntas
surgem na mente de alguém conhecedor do marxismo e cristianismo. Como foi
possível o surgimento da teologia da libertação, movimento que busca a justiça
social na américa latina, nos anos 60? A resposta parece óbvia, os teólogos da
libertação precisam ser liberais e se desfazer de muitos princípios bíblicos
para se unirem ao marxismo.
Como dia Heine: ninguém precisa chamar Nietsche para
matar Deus, basta chamar um teólogo da libertação. O Deus dos teólogos da
libertação parece o Geist de Hegel.
Para eles o homem faz tudo dentro de um determinismo histórico. E o pecado é
visto como uma alienação social. Dessa forma, a saída para o homem não é cruz e
sim a mudança nas estruturas sociais. Realmente! Não é fácil servir a Deus a ao
marxismo, um desses senhores sai machucado.
